quarta-feira, setembro 01, 2010

FRIENDS (1971)

ESTE É O NOSSO MUNDO
Um filme de LEWIS GILBERT


Com Sean Bury, Anicée Alvina, Ronald Lewis, Toby Robins, Joan Hickson

GB / 101 min / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 24/3/1971 
(New York)
Estreia em Moçambique a 22/2/1973
(LM, Teatro Manuel Rodrigues)



«I can't believe that such a small budget film that Anicée and I had the good fortune to make all those years ago, is still receiving your kind attention. Thank you for all your comments, I assure you it was great fun to make "Friends" and an honour to work with Lewis Gilbert who has continued to make some super films.

I shall always remember Lewis's words after the Preview showing..."Sean" he said as he came up to shake my hand,"you have nothing to be ashamed of !" (I heaved a sigh of relief)... then he added... "But nothing to be proud of either!". Years of dedicated training as a young actor just went down the pan!

I now work with people with special needs , the money is terrible but the smiles are the best! I have been lucky enough to see both of these 2 very different worlds. One feeds upon the attention it seeks and the other is just happy being, and getting on with things quietly, but both are exciting, fun and challenge one to do better. May your gods be with you all !»
(Sean Bury)



«Is funny how young lovers start as friends...»

Em 1971 um pequeno filme chamado “Friends” tornou-se um enorme sucesso, desafiando os críticos da altura, e deliciando milhares de jovens em todo o mundo. Autêntica fábula do amor adolescente, teve na música de Elton John e Bernie Taupin o acompanhamento ideal, que lhe conferiu uma certa áurea de magia e encantamento, que no entanto escapou à compreensão desses críticos, provavelmente por estes já se encontrarem para além da juventude daquele tempo. Paul Harrison chamar-lhes-ia “pauvres idiots”, enquanto Michel Latour, no seu delicioso sotaque, os classificaria de “poor silly bastards”.

A grande novidade do filme – para além da presença e extraordinário desempenho de Anicée Alvina (infelizmente a actriz faleceu de cancro em 10 de Novembro de 2006, com apenas 53 anos) – foi talvez a evocação de Arcadia, esse mágico local onde viver só acontece em sonhos. A literatura tem ao longo dos tempos tentado descrever as muitas formas de um Shangri-La terreno, mas o cinema não tem tido grande sucesso em imaginar tal paraíso. “Friends” consegue de alguma maneira fazer-nos vislumbrar essa terra de sonho ao situá-la na Camargue francesa, onde o mundo dos adultos simplesmente não entra.

Fotografado por Andréas Winding, todo o filme é de uma beleza invulgar, que se espelha nos olhares de Paul e Michelle. Mesmo as cenas de nudez, que tanta celeuma causaram na época, são introduzidas de modo natural, sem qualquer exposição abusiva. Poucos filmes tinham até ali conseguido capturar a atracção entre dois adolescentes de uma maneira assim tão bela e poética, vindo-nos à memória uma frase de Fournier: «My credo in art and literature is childhood. The thing is to render it without childishness.»

“Friends” é hoje em dia considerado um filme de culto pela geração que em 1971 andava pelos vinte anos de idade – a minha geração. O nosso grande desejo de emancipação, de nos libertarmos das grilhetas familiares foi de algum modo transferido para este filme, onde uma atracção pura e inocente era incentivo mais do que suficiente para levar dois jovens a procurar a felicidade num lugar bem distante da sociedade convencional. Eu tinha 18 anos nessa altura e estava pela primeira vez perdido de amores por uma rapariga de dezasseis. Provavelmente foi essa a primeira razão pela qual ainda hoje conservo este filme num lugar muito especial das minhas memórias – é que o encantamento de um primeiro amor só se vive uma vez na vida.



I hope the day will be a lighter highway
For friends are found on every road
Can you ever think of any better way
For the lost and weary travellers to go
Making friends for the world to see
Let the people know you got what you need
With a friend at hand you will see the light
If your friends are there then everything's all right
It seems to me a crime that we should age
These fragile times should never slip us by
A time you never can or shall erase
As friends together watch their childhood fly

"Friends" seria nomeado para o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em língua inglesa e a banda sonora para um Grammy. Três anos depois, em 1974, e dado o grande êxito de "Friends" junto do público, foi feita uma sequela com os mesmos actores (e realizada também por Lewis Gilbert) intitulada "Paul e Michelle". Mas então já sem toda a magia deste primeiro filme.

14 comentários:

Roberto F. A. Simões disse...

Gostava de ver, agora fiquei com curiosidade.

JC disse...

Pergunta, Rato: o filme passou em Portugal? Não tenho ideia...

Rato disse...

ROBERTO: Se quiseres faço-te uma cópia do filme e envio-te por correio

Rato disse...

JC: Eu vi-o em Moçambique na altura, mas acho que sim, que se estreou por aqui também

nowhereman disse...

Lembro-me perfeitamente deste muito justamente chamado "filme de culto" - porque de baixo orçamento, original e apenas do agrado de uma certa minoria, que aqui se confunde com determinada faixa etária. Por outras palavras, era preciso ser-se jovem no início dos anos 70 (como eu também era) para se conseguir amar este filme.
Apesar de década após década aparecerem novas gerações de jovens julgo que actualmente, com valores e juízos totalmente diferentes, a novíssima geração não conseguirá gostar de "Friends". Quanto muito poderá apreciar a música mas mesmo nesse campo tenho as minhas dúvidas, devido também à evolução (negativa, direi eu) que a música sofreu com o passar dos anos.
Para a nossa geração (dos 55 para cima) voltar a ver (e a ouvir) "Friends" será sempre um retorno aos anos de juventude e por isso uma experiência feliz.
Rato, há muitos anos que não vejo este filme. Será que podias fazer uma cópia extra para mim também? Envio-te a minha morada por email.
Desde já te agradeço, e muito!

Rato disse...

Tudo bem, nowhereman, quem faz uma cópia faz duas! Envia-me então a tua morada, s.f.f.

Roberto F. A. Simões disse...

Se não te der muito trabalho, atrever-me-ia a aceitar. Falamos por e-mail.

JC disse...

1. Razões da minha estranheza s/ a estreia do filme em Portugal (Metrópole): estive em Londres em 71 e por lá comprei o LP do E. John. Seria lógico ter visto o filme nesse ano, em Portugal. Mas nunca o vi... admito por estar na tropa. Por outro lado, não estranharia que, com tal tema e cenas de nudez adolescente, só tenha passado no pós-25 de Abril (nas colónias eram mais liberais em matéria de costumes)...
2. Vi hoje existiu uma sequela (Paul and Michelle). Mesmo realizador e mesmos actores. Penso que sem qualquer sucesso.

Rato disse...

Já naquele tempo se exercitava o expediente das sequelas, convencidos que o sucesso de um filme se deveria prolongar com a aplicação de "fórmulas" análogas.
Há décadas que andam nisso e não há meio de aprenderem. Lá vão acertando uma vez por outra mas quase sempre os "tiros" perdem-se na água.
De qualquer modo também vi na altura o "Paul e Michelle", então já aqui em Lisboa, em 1975. Pura e simplesmente detestei, e "atirei-o" de imediato para a zona do esquecimento.

JMAbreu disse...

Olá a todos e agradeçer ao "Rato Cinéfilo" o seu convite para fazer parte do seu blogue, em abono da verdade sinto-me em casa porque o cinema é uma parte da minha vida, bem como a música em segundo plano.
Por outro lado em tempos contactei o Rato, por causa da homenagem no Funchal do Sérgio Borges e do Conjunto Académico João Paulo, e lhe dizer que tenho uma cópia para lhe enviar só que não sei como o faço e para onde.
Em ralação a este filme recordo-me na altura isto no inicio dos anos 70, foi um tanto ao quanto polémico para suas cenas de nudez, embora fosse ao cinema com muita frequência este não vi, e na época o Melody tivesse sido mais impacto e depois foi o lançamento do Album "Odessa" dos Bee Gees.
Se não for a mais podia facultar-me uma cópia, pelo que já analisei do filme é considerado um filme de culto.
Se acaso necessitar de algum filme em especial ou para outras pessoas do blogue terei todo o gosto em partilhar desde que tenha.
Muito obrigado e "saudações cinéfilas"
jorgemanuelabreu@gmail.com
Funchal - Madeira
JMAbreu

Billy Rider disse...

Um filme a que volto muitas vezes, sempre que sinto a necessidade de rejuvenescer. Não aconselhável a menores de 40 anos.

renatocinema disse...

Não conhecia o filme......mas, ao ler seu texto senti que é a minha praia.

Valeu pela dica.

Abraços

elfaria@sapo.pt disse...

Recordo-me bem deste e doutros filmes de amores adolescentes que nos anos 70 estiveram em voga: Friends, Paul e Michele, Melody, Harold &Maude, Summer of 42, Jeremy, La Boum. Tenho alguns em DVD para matar saudades de vez em quando de tempos felizes que vivi na Lisboa dos meus verdes anos. Obrigado por me recordares isto Rato :)

Analise Dinâmica disse...

Roberto Ferré Serrano.
Creio que o filme que mais marcou minha vida. Uma joia rara. Sempre procurei o mesmo para poder assistir novamente e apresentar para algumas pessoas que comentei e que se interessaram em assistir, mas nunca encontrei. Uma pena que estou fora de Portugal, sou do Brasil, e creio que uma cópia do mesmo não seria possível de me enviar. Grato.